segunda-feira, 22 de julho de 2013

Protestos de 11 de julho: balas e bombas do Centro a Laranjeiras



Texto, vídeo e fotos: Thomás R. P. de Oliveira


 
A manifestação com muitos trabalhadores de sindicatos seguia pela avenida Rio Branco em direção à Cinelândia quando algo muito estranho aconteceu. Alguns homens chegaram com uma caixa de papelão cheia de coquetéis molotov e disseram que ela era de anarquistas que participavam do protesto. 

Ir à uma manifestação carregando uma enorme caixa de papelão cheia de garrafas de cerveja com gasolina me parece surreal. O que levaria um dos membros do Black Bloc ou de qualquer movimento anarquista, ou esquerdista de forma geral, a cometer uma burrice dessas? Uma caixa de papelão? Vários litros de gasolina? 

Muitos manifestantes ao verem o absurdo da cena acusaram aos gritos os tais homens de serem policiais disfarçados, os cada vez mais famosos P2. Logo começou uma forte discussão e simultaneamente a polícia lançou suas primeiras bombas de gás. Daí em diante, o confronto se instalou. Um carro de som começou a tocar o Hino Nacional enquanto a polícia disparava contra o povo. (Vídeo)

Alguns manifestantes conseguiram fazer a polícia recuar combatendo com escudos improvisados, pedras e fogos de artifício. Mas após se reorganizarem, os policiais avançaram atirando balas de borracha e bombas de gás. Barricadas em chamas foram feitas ao longo da avenida República do Chile, portas de vidro de bancos foram quebradas e a polícia trabalhou ativamente para dispersar os manifestantes (eufemismo para atirar balas de borracha e bombas contra eles).
Outros grupos foram para o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, e novos enfrentamentos aconteceram. A Vice estava lá com o fotógrafo Matias Maxx. A matéria pode ser conferida clicando aqui.

Abaixo, fotos que fiz do tumultuo no Centro: