quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A criminalização dos protestos e a carnavalização da vida

Texto e foto: Thomás R. P. O.
fotos.trpo@gmail.com


Para que discutir os problemas sociais, se o Estado pode confortavelmente fazer uma transmutação alquímica deles em problemas policiais? 

Somos todos casos de polícia! O problema não vem das pesadas engrenagens do capital, moendo vidas, sonhos e imaginação, o problema somos nós! 

Era tudo tão óbvio e só nós não enxergávamos. Mas temos a sorte de haver homens tão lúcidos governando o Rio de Janeiro, pessoas práticas e visionárias ao mesmo tempo. Rapidamente, tudo foi resolvido por eles. 

Como a Zona Sul, em total sintonia com essa linha de pensamento, já havia dito há anos: basta! Então, o Estado atendeu. Basta de quebra-quebra, de correria, de desordem, de vagabundos maconheiros desocupados ocupando a cidade. Basta de mascarados, basta de gente chata insistente que não se cansa de política. 

Basta de gente! Basta da gente!

Como nos sonhos da classe média despolitizada, tudo é resolvido com uma canetada e um punhado de policiais armados. 

Sem máscaras. Sem vandalismo. Sem intrusos barulhentos nas belas ruas do Leblon. 

Máscaras só no carnaval. Pois, como todos nós sabemos, a máscara da alienação sempre nos serviu muito bem. 

Agora é oficial! Máscaras só podem ser usadas por gente sorridente, recebendo turistas com braços e pernas abertas. 

Chega de barulho, tem gente querendo dormir...


Foto: protesto do dia 13 de junho, na Alerj.




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