sexta-feira, 2 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Uma quase ocupação e a discussão sobre quantidade e qualidade nas manifestações
A última noite de julho foi
marcada por mais um protesto no Rio de Janeiro. Os manifestantes partiram da Cinelândia
em direção ao Ministério Público por volta das 18 horas. Durante todo o
trajeto, policiais revistaram as mochilas de muitas pessoas, principalmente dos
membros do black bloc.
A cada nova revista, toda a
passeata parava em solidariedade ao revistado e os gritos em coro começavam: “o
black bloc é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo” ou “revista o Cabral,
revista o Cabral” ou ainda “revista o P2, revista o P2”. Chegando ao MP, foi
entregue uma lista de reivindicações para o procurador-geral, Marfan Vieira,
que se comprometeu a publicar o andamento das investigações no site da
instituição.
Após uma breve pausa na Alerj, a manifestação voltou à Cinelândia. A porta lateral da Câmara de
Vereadores foi cercada e a multidão começou a pressionar. Alguns manifestantes
conseguiram entrar e, das janelas, acenaram e amarraram faixas de protesto. Após
negociarem uma saída pacífica, relatos indicam que policiais agrediram os que
saíam e o confronto começou. Spray de pimenta, balas de borracha e armas de
choque de um lado, pedras do outro.
Outra tentativa de invasão, dessa
vez pela porta da frente da Câmara, também acabou frustrada. Tinta e alguns poucos
fogos de artifício foram jogados contra os policias que haviam dispersado as
pessoas com pimenta e choques. Após alguma calmaria, mais
confrontos na lateral do prédio. Um dos policiais foi atingido na boca por uma
pedrada e, cambaleando, foi conduzido pelas próprias pessoas que protestavam até
a frente do Theatro Municipal, onde foi socorrido por manifestantes de jaleco
branco (que em geral são estudantes de enfermagem).
Aos poucos, as coisas foram se
acalmando e grupos remanescentes dos manifestantes passaram a discutir e conversar com
policiais. Uma PM me disse que é a favor das manifestações e que deseja que a
cidade e o país evoluam e que o dinheiro público seja melhor aplicado em prol do
povo. Disse ainda que não saía de casa com a predisposição de agredir nenhum
manifestante, mas que algumas vezes as coisas saiam do controle. Eu disse que o
Choque parecia sair para as ruas com essa disposição e ela apenas respondeu que “o Choque é
diferente...”
Por muito pouco a Câmara de
Vereadores não foi ocupada. Isso marcaria uma nova etapa para os protestos cariocas, com
duas ocupações estratégicas na cidade, a da câmara e a já existente no Leblon,
próxima à rua na qual o Cabral mora (hoje ou amanhã devo passar lá para conhecer o acampamento).
Talvez, se houvesse mais pessoas ontem protestando, a ocupação pudesse ter se concretizado. Mas estou apenas
especulando, não dá para saber o que aconteceria. A polícia poderia ter agido
com mais violência se a multidão fosse muito maior. Ninguém sabe. E, de
qualquer forma, se o preço para fazer manifestações muito maiores for a presença
de coxinhas e reacionários de forma geral, prefiro que as coisas continuem como
estão.
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