quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Uma quase ocupação e a discussão sobre quantidade e qualidade nas manifestações




A última noite de julho foi marcada por mais um protesto no Rio de Janeiro. Os manifestantes partiram da Cinelândia em direção ao Ministério Público por volta das 18 horas. Durante todo o trajeto, policiais revistaram as mochilas de muitas pessoas, principalmente dos membros do black bloc. 

A cada nova revista, toda a passeata parava em solidariedade ao revistado e os gritos em coro começavam: “o black bloc é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo” ou “revista o Cabral, revista o Cabral” ou ainda “revista o P2, revista o P2”. Chegando ao MP, foi entregue uma lista de reivindicações para o procurador-geral, Marfan Vieira, que se comprometeu a publicar o andamento das investigações no site da instituição.



Após uma breve pausa na Alerj, a manifestação voltou à Cinelândia. A porta lateral da Câmara de Vereadores foi cercada e a multidão começou a pressionar. Alguns manifestantes conseguiram entrar e, das janelas, acenaram e amarraram faixas de protesto. Após negociarem uma saída pacífica, relatos indicam que policiais agrediram os que saíam e o confronto começou. Spray de pimenta, balas de borracha e armas de choque de um lado, pedras do outro.

Outra tentativa de invasão, dessa vez pela porta da frente da Câmara, também acabou frustrada. Tinta e alguns poucos fogos de artifício foram jogados contra os policias que haviam dispersado as pessoas com pimenta e choques. Após alguma calmaria, mais confrontos na lateral do prédio. Um dos policiais foi atingido na boca por uma pedrada e, cambaleando, foi conduzido pelas próprias pessoas que protestavam até a frente do Theatro Municipal, onde foi socorrido por manifestantes de jaleco branco (que em geral são estudantes de enfermagem). 



Aos poucos, as coisas foram se acalmando e grupos remanescentes dos manifestantes passaram a discutir e conversar com policiais. Uma PM me disse que é a favor das manifestações e que deseja que a cidade e o país evoluam e que o dinheiro público seja melhor aplicado em prol do povo. Disse ainda que não saía de casa com a predisposição de agredir nenhum manifestante, mas que algumas vezes as coisas saiam do controle. Eu disse que o Choque parecia sair para as ruas com essa disposição e ela apenas respondeu que “o Choque é diferente...”



Por muito pouco a Câmara de Vereadores não foi ocupada. Isso marcaria uma nova etapa para os protestos cariocas, com duas ocupações estratégicas na cidade, a da câmara e a já existente no Leblon, próxima à rua na qual o Cabral mora (hoje ou amanhã devo passar lá para conhecer o acampamento).
Talvez, se houvesse mais pessoas ontem protestando, a ocupação pudesse ter se concretizado. Mas estou apenas especulando, não dá para saber o que aconteceria. A polícia poderia ter agido com mais violência se a multidão fosse muito maior. Ninguém sabe. E, de qualquer forma, se o preço para fazer manifestações muito maiores for a presença de coxinhas e reacionários de forma geral, prefiro que as coisas continuem como estão.